sábado, março 13, 2010

Foral de Celorico de Basto

"Dom Manuel per graça de Deus Rey de portugal e dos algarves daquem e dallem mar em affrica Senhor de guine e da conquista e navegaçam e comercio da etyopia arabia persia e da india. A quantos esta carta de foral dado pera sempre a terra castello e concelho de cellorico de basto virem fazemos saber que por quanto na dita terra nom ouve foral..."

Celorico de Basto recebeu o foral no dia 29 de Março de 1520 (faz, portanto, 490 anos que foi assinado pelo rei D. Manuel I) e que por isso é evidentemente um documento notável e de inegável interesse histórico.
O foral concedido à terra, castelo e concelho de Celorico de Basto foi um dos 589 “forais novos” outorgados por D. Manuel no cumprimento de um amplo programa reformista.
Um foral era um diploma pelo qual o rei ou um senhor (laico ou eclesiástico) concedia aos moradores de um determinado lugar certos privilégios e regalias.
Contrariamente aos forais velhos, que favoreciam o municipalismo, os forais novos ou manuelinos não deram grande relevo aos assuntos referentes à administração dos concelhos, porque essas matérias passaram a ser reguladas pela lei geral, mas sim, tentaram sobretudo fixar os encargos e foros a pagar pelos concelhos ao rei a aos donatários.
A circunscrição territorial de Celorico e o próprio castelo de Arnóia já eram referenciados no tempo de Fernando Magno, bisavô de Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal.
Em 1220, a circunscrição medieval da terra de Celorico abrange a totalidade dos concelhos de Cabeceiras, Mondim e Celorico de Basto, uma parte de Amarante (Aboim, Amarante, Chapa, Freixo de Baixo, Freixo de Cima, Gatão e Vila Garcia), Felgueiras (Borba de Godim, Macieira da Lixa e Pinheiro), Fafe (Ardegão, Regadas e Seidões), Ribeira de Pena (Alvadia, Cerva e Limões) e Vieira do Minho (Roças).
No foral manuelino de Celorico de Basto (1520) o limite territorial é menos amplo, pois só compreende a margem direita do Tâmega.
Posteriormente e devido ao reajustamento administrativo, algumas freguesias foram transferidas para os concelhos vizinhos de Fafe, Amarante e Cabeceiras de Basto, através do Decreto-Lei de 31 de Dezembro de 1853, pelo que o actual concelho de Celorico de Basto é composto por 22 freguesias.
De referir que os forais foram extintos em 13 de Agosto de 1832, com o advento do liberalismo.

Glossário de algumas palavras antigas utilizadas no foral:

Aforamento – acto de aforar, de dar e receber por meio de foro. Contrato através do qual se arrenda ou concede bens a pessoas individuais ou colectivas.

Aforar – arrendar através do foro.

Almoxarife – funcionário régio que tinha a seu cargo a cobrança e arrecadação dos impostos, especialmente as rendas reais e direitos sobre pães, vinho e outros.

Gado de vento – gado perdido mas que, sendo encontrado devia ser declarado pelo achador na Câmara no prazo de dez dias, sob pena de ser suspeito de furto.

Libra – moeda que depois se converteu apenas em moeda de conta até ao tempo de D. Manuel. A libra foi então reduzida a 36 reais.

Lutosaslutuosas – certa peça ou pensão que se pagava por morte de alguma pessoa que, por direito ou costume, a devia.

Foro – pensão ou renda que paga aquele que usufrui o domínio útil de uma propriedade, àquele a quem pertence o domínio directo desta. É a pensão anual que no contrato de emprazamento, aforamento, ou enfiteuse, o foreiro ou enfiteuta paga ao senhorio directo.

Inquirições – averiguações realizadas pelas alçadas reais em várias regiões do país sobre a natureza das propriedades, direitos dos senhorios e dos patrimónios das igrejas e dos mosteiros.

Montado – imposto pago normalmente em espécies e a que estavam sujeitos os donos de gado bovino e ovino, sempre que os gados pastavam nos terrenos de um concelho ou senhorio.

Pães – regra geral, quando os forais mencionavam “pão”, referem-se a cereais panificáveis e de modo algum a pão cozido.

Pão terçado – pão constituído por três cereais, trigo, centeio e milho.

Titollo – subdivisão de um código de leis.

Vinho mole – vinho mosto que ainda não ferveu.

domingo, fevereiro 21, 2010

Centro Interpretativo do Castelo

A inauguração do Centro Interpretativo do Castelo de Arnóia, em Celorico de Basto, ocorreu no dia 11 de Abril de 2009.
O local adoptado para a sua localização foi o edifício da escola primária, localizada junto ao pelourinho da Villa de Basto, antiga sede do concelho.










domingo, janeiro 31, 2010

Relógio de Sol

Este relógio de sol (século XVIII) encontra-se nas imediações da Casa da Lage, na freguesia de Gémeos, concelho de Celorico de Basto.

Os primeiros relógios de sol terão entrado no território que é hoje Portugal através da conquista romana.
Contudo, o tempo de glória dos relógios de sol é o século XVIII e estes objectos passam a inserir-se nos espaços de habitação e de lazer da nobreza e da burguesia, geralmente como objectos de grande aparato decorativo de um Barroco pujante.
Em Portugal, isso ocorre com D. João V, que manda equipar palácios, mosteiros e conventos com novos relógios de sol.
A "morte" do relógio solar, que só marca tempos locais, ocorre, por um lado, devido à precisão cada vez maior do relógio mecânico, que se torna também cada vez mais portátil; por outro, devido à universalização do tempo, provocado pelo avanço das comunicações e dos transportes.
Ultimamente constata-se um renovado interesse pela gnomónica, ciência que serve de base para a construção dos relógios de sol, pelo que voltam a reaparecer em espaços públicos e privados.

De salientar, segundo alguns autores, que na Casa da Lage, situada no lugar com o mesmo nome e que outrora se chamou lugar do Penedo, e sucessivamente ao longo do tempo Lágeas, Lagem, na freguesia de S. Miguel de Gémeos, viveu e morreu Álvaro Gonçalves Coutinho, o Magriço – um dos “Doze de Inglaterra”.
Este episódio narrado por Luís de Camões (canto VI, 46/49) refere que doze damas da corte inglesa foram gravemente ofendidas na sua beleza e na sua honra por cortesãos sem escrúpulos que lhes levantaram famas malévolas e desafiaram para duelo “com lança e espada” quem as quisesse defender das aleivosias que lhes dirigiram”.
As damas ultrajadas pedem ajuda a “amigos e parentes”. Nenhum deles foi em seu socorro, pelo que recorreram ao Duque de Alencastro, que já “militara com os portugueses contra Castela…”
Chegou, entretanto, mensageiro a Portugal com o nome dos nomeados. E um deles era o heróico aventureiro e lendário Magriço.
Depois de autorizado pelo Rei para partir, lá segui por terra, como era seu desejo, passando por Leão, Castela, Navarra e em Flandres permaneceu muitos dias. Entretanto, “chega-se o prazo e o dia assinalado” e o magriço não está presente. A dama que devia ser defendida por ele sua honra “com tristeza se veste!”
Doze ingleses contra onze portugueses para se defrontarem perante os olhares do rei inglês e toda a sua corte.
Mas de rompante surge um cavaleiro, com armas e cavalo. Era o Magriço! E depois de muita luta, a batalha das Damas (1390) foi vencida pelos lusitanos.
Segundo alguns historiadores Álvaro Gonçalves Coutinho, o Magriço, terá sido sepultado na capela-mor da Igreja de Gémeos, em sepultura com lança esculpida em cima com as inscrições “AGC” e “MCXLII”, infelizmente desaparecida após obras na Igreja.

domingo, novembro 29, 2009

Ponte de Matamá

A ponte de Matamá, na freguesia de Veade, foi inaugurada no dia 5 de Junho de 1936.


* Continua…

domingo, outubro 25, 2009

Teatro «Salve-se quem puder»

Nos anos 50 do século XX, o salão de festas dos Bombeiros Voluntários Celoricenses foi palco de inúmeras representações teatrais, levadas a efeito por um grupo de actores amadores de Celorico de Basto.

Um aspecto da revista regional “Salve-se quem puder”, 
original de Dr. João Lemos.

Foto de 1954 nos jardins públicos da Praça Albino Alves Pereira
com parte do elenco de actores celoricenses